No dia 30 de janeiro, a emissora Tv Tokyo apresentou em seu programa chamado Future Century Zipangu, um bloco de 43 minutos sobre vegetarianismo e veganismo, e as dificuldades que os estrangeiros enfrentarão para se alimentar no Japão na próxima Olimpíadas de 2020.

Nesses sete anos que eu me tornei vegana (fui 7 anos ovolacto), eu nunca cheguei a ver ou saber de um programa de televisão que apresentasse um bloco especialmente para falar sobre veganismo.
Sim gente, sobre veganismo, e para a minha surpresa explicaram de uma maneira correta, visto que o assunto não é quase debatido entre os japoneses e muitas pessoas nem sabem o que é veganismo.

A Tv Tokyo disponibilizou o programa completo para assistir online, mas está somente em japonês.
Para assistir ao programa, clique aqui (existe a possibilidade de eles tirarem do ar depois de um tempo).

Mas para quem não tem tempo de assistir, ou não entende o idioma japonês, eu vou fazer um breve resumo do que foi falado no programa.

Para um assunto quase não debatido, eu achei que eles fizeram uma explicação muito boa sobre o que é o veganismo.
Primeiramente eles começaram o programa mostrando como é o veganismo na Europa, continente onde mais se concentra pessoas veganas no mundo.
Andaram pelas ruas de Berlim e mostraram vários restaurantes vegetarianos e veganos pela cidade, muitos deles já escritos na própria placa do local “restaurante/cafe vegetariano/vegano”.
Entraram em alguns lugares e perguntaram às pessoas o que elas estavam achando do prato vegano que estavam comendo, se era saboroso e satisfatório, e todas as pessoas elogiavam, muitas delas surpresas com o sabor.
Mostraram a opção vegana que o McDonalds da Finlândia já disponibilizou nas suas redes (o lanche vegano do Mc já é uma realidade em alguns países).

O que mais impressionou os apresentadores e os participantes do programa foi o maguro (atum) que uma empresa alemã especializada em frutos do mar veganos lançou na Europa.

Eles trouxeram uma peça para o Japão e levaram para um chef de sushi em Tokyo. O chef corta o pedaço de “maguro” e fica impressionado em como se parece com o maguro real, depois ele ele prova e diz que o sabor é muito bom e que ficou impressionado.

Depois os apresentadores explicaram as diferenças de vegetarianismo e veganismo.

Do lado esquerdo é o que os vegetarianos podem comer e do lado direito o que os veganos não comem.

Na legenda: vegan não come absolutamente nada de origem animal. Nem ovo, nem laticínio, até óleo.

Nesse caso do óleo acredito que eles quiseram dizer que existe a banha de porco muito usada na indústria de alimentos, e que veganos não consomem o alimento que tiver essa banha.

Além de mostrarem as dezenas de opções veganas em Berlim, eles foram visitar um local de treinamento e conversaram com o atleta bodybuilding Patrick Baboumian.

Na legenda: esses músculos foram todos construídos com vegetais.

O próprio Patrick diz que antes pensava que precisa de proteína animal para ser forte, mas hoje ele tem o conhecimento de que podemos suprir as proteínas através de grãos.

Eles mostraram também um salão em Berlim onde o cabeleireiro usa somente produtos que não contém nada de origem animal, além de não testarem em animais também.

Mostraram algumas marcas internacionais que já estão usando couro vegetal em bolsas e sapatos.

Todos no palco ficaram surpreendidos pela leveza e pela maciez do material do couro, inclusive, mostraram um tênis da Reebok que foi produzido a partir de milho!

Eu não sabia, mas na Alemanha já existe uma creche VEGETARIANA!

Eu acho que isso é um sonho de muitas pessoas daqui do Japão visto as dificuldades de achar uma creche onde respeitem a decisão dos pais em serem vegetarianos e veganos.

Foi falado também sobre muitas empresas na Alemanha que já sentem o impacto da mudança de hábito da população para o vegetarianismo e veganismo e que as vendas caíram.

Na legenda: não está vendendo carne, as vendas caíram 15%.

Essa foi uma das partes do programa que mais me deixou feliz! 😛

Foram entrevistados alguns estrangeiros aqui no Japão e eles relataram as dificuldades de se alimentar aqui, a barreira do idioma, a falta de opção vegetariana e vegana nos menus e os extratos e caldos nos pratos.
A Shelly, que é uma das apresentadoras diz: “Com tanta comida japonesa gostosa no Japão, é uma pena que os estrangeiros que vem aqui não podem comer”.
Uma convidada diz: “É um sentimento de lamentação por isso”.

Eles falam muito sobre as dificuldades de ser vegetariano e vegano no Japão, mas falam muito também sobre as chances de negócios para as empresas japonesas e o quanto isso pode ajudar na economia no Japão nas Olimpíadas de 2020 em Tokyo.

Na legenda: Japão, o que fazer em 2020?

Na legenda: o número de estrangeiros vegetarianos que visitarão em 2020 é de 2 milhões de pessoas.

E nos últimos 10-15 minutos de programa, eles falaram sobre o “ativismo violento” do grupo de ativistas veganos 269.
Mostraram algumas ações de ativistas pichando e jogando tinta vermelha em plena luz do dia na frente de estabelecimentos que vendem carne, ações de rua onde os ativistas reproduzem uma cena dramática de pessoas carnívoras comendo carne e mostraram uma fazenda de carne onde foi incendiada pelos ativistas.

Ativistas do grupo 269.

Eu particularmente achei desnecessário usar 10-15 minutos de tempo para falar sobre ações “violentas” dos ativistas, pois foi mostrado como puro ato de vandalismo sem propósito nenhum (aham!).
Minha breve opinião sobre esse tipo de ação: necessária. Talvez numa outra oportunidade eu fale o que eu realmente acho sobre certas ações ativistas, mas minha definição no momento é: necessária (desde que não machuque pessoas, e claro, animais).

Eles podiam ter usado esse tempo para falar sobre o impacto ambiental de se alimentar de produtos de origem animal faz no meio ambiente. Podiam também ter falado sobre os benefícios de ter uma alimentação vegetariana estrita para a saúde, mas, depois de ler alguns comentários no perfil de uma colega estrangeira vegana que eu me dei conta, é claro que eles não vão falar tão bem do veganismo assim sem mais sem menos, esses programas são patrocinados por empresas de carne e laticínios 😛

De qualquer forma eu achei muito positivo e válido esse programa ter abordado esse assunto, sei que o intuito na verdade era focar sobre chances de negócios e economia no Japão, de qualquer maneira teremos vantagens nisso e muitas pessoas ao menos pôde saber um pouco o que de fato é veganismo.

E vocês, o que acharam? 🙂

Espero mais uma vez ter ajudado, qualquer dúvida, por favor, deixe nos comentários que irei responder todos vocês! 

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